quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Anelise olhou para o seu quarto e para o imenso vazio que ele havia deixado.

Reclamava dos roncos, da mania de dormir com a TV ligada, mas de certa forma aquilo dava um colorido a casa.

Quando ela chegou naquela noite de quarta-feira após o trabalho, ele não estava mais lá, nem suas coisas e tão menos a sua escova de dentes.

Ela ficou feliz, colocou músicas altas e dançou freneticamente.

Os últimos meses haviam sido pesados demais. Era muito ciúme, muita cobrança, reconciliações e uma semana depois brigas e mais brigas.

Aquela situação estava cansando a sua beleza e todo seu emocional. Os olhos de verde passaram a cinzas e naquela mente tão criativa de artista plástica não havia mais espaço para criação alguma.

Mas após exatos sete dias sentiu uma dor, a cama era demasiadamente grande, a casa agora fazia eco, seus passos eram barulhentos e podia escutar o estalar de seus dedos tocando no chão.

Chorou um pouco, mas lembrou que como ele mesmo lhe disse uma vez, a vida não era um filme e se eles continuassem juntos, a história estaria mais para linha direta do que para o “e viveram felizes para sempre”.

De fato, na última briga só faltaram sair no tapa. Ela o xingou e ele revidou, ela segurou o braço dele e disse que ele não tinha respeito, que era um cafajeste e que ela era a mais infeliz das mulheres. Coincidentemente a frase inversa a que havia dito nos primeiros meses que estavam juntos.

Apesar de tudo ela o amava como nunca havia amado ninguém e se questionava se aquilo era amor, doença, obsessão ou sina...

Poderia ter vários nomes, mas naquele momento era a insuportável dor física no peito que a consumia.

Deu um grito tão alto que o porteiro interfonou perguntando se estava tudo bem.

Após dois anos Anelise ainda se questionaria se devia ou não pintar a parede que ele declaradamente disse que queria que fosse verde.

Fez tudo diferente, se mudou, casou com um ex namorado e teve um filho.

Parecia que a sua escolha já tinha sido feita!

Mas quando sentou-se e tentou criar, foi o rosto dele que enxergou.

Quando o filho veio correndo abraçá-la e dizer que a amava, imediatamente ela desligou o computador.

Depois não achou mais o texto nem na lixeira da máquina.

Era irreversível e ela sabia disso...

1 comentário:

  1. Porque será que as vezes o plano que parecia ser tão perfeito...sai totalmente fora do previsto?! O jeito é respirar fundo, abrir aquele sorrisinho e continuar...

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